segunda-feira, 15 de março de 2010

Não comerei da alface a verde pétala


Não comerei da alface a verde pétada

Nem da cenoura as hóstias desbotadas

Deixarei as pastagens às manadas

E a quem mais aprouver fazer dieta.


Cajus hei de chupar, mangas-espadas

Talvez pouco elegantes para um poeta

Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta

Que acredita no cromo das saladas.


Não nasci ruminante como os bois

Nem como os coelhos, roedor; nasci

Omnívoro; dêem-me feijão com arroz


E um bife, e um queijo forte, e parati

E eu morrerei, feliz, do coração

De ter vivido sem comer em vão.


Vinicius de Moraes

Los Angeles, 1947.

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