segunda-feira, 15 de março de 2010

Não comerei da alface a verde pétala


Não comerei da alface a verde pétada

Nem da cenoura as hóstias desbotadas

Deixarei as pastagens às manadas

E a quem mais aprouver fazer dieta.


Cajus hei de chupar, mangas-espadas

Talvez pouco elegantes para um poeta

Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta

Que acredita no cromo das saladas.


Não nasci ruminante como os bois

Nem como os coelhos, roedor; nasci

Omnívoro; dêem-me feijão com arroz


E um bife, e um queijo forte, e parati

E eu morrerei, feliz, do coração

De ter vivido sem comer em vão.


Vinicius de Moraes

Los Angeles, 1947.

sábado, 6 de março de 2010

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos


Eu queria trazer-te uns versos muito lindos

colhidos no mais íntimo de mim...

Suas palavras

seriam as mais simples do mundo,

porém não sei que luz as iluminariam

que terias de fechar teus olhos para as ouvir...

Sim! Uma luz que viria de dentro delas,

como essa que acende inesperadas cores

nas lanternas chinesas de papel.

Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas

do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube

o que dizer-te

e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento

da Poesia...

como

uma pobre lanterna que incendiou!



Mario Quintana